terça-feira, 9 de outubro de 2012

Sobre as origens da Língua Portuguesa no Brasil

http://www.girafamania.com.br/girafas/lingua_portugues.html This page is part of © GIRAFAMANIA website / Esta página é parte do sítio GIRAFAMANIA Girafa – idioma português Ao tronco indo-europeu pertencem 425 línguas, entre elas sete das dez mais faladas do planeta (em ordem alfabética): alemão, bengali, espanhol, hindi, inglês, português e russo. Espalhada pelos cinco Continentes, a língua portuguesa figura entre as mais faladas do mundo. Estruturada a partir do século XII, desde o século XV ultrapassou as fronteiras da Península Ibérica, acompanhando as caravelas lusitanas na aventura das grandes navegações... A língua portuguesa é oficial em 7 países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, os quais são chamados de lusófonos. E, apesar da incorporação de vocábulos nativos, de certas particularidades de sintaxe, pronúncia e grafia, a língua portuguesa mantém uma unidade. O primeiro passo no processo de criação da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (www.cplp.org), foi dado em São Luís do Maranhão, em novembro de 1989... Oficialmente, a CPLP, com sede em Lisboa, só foi criada no dia 17/07/1996. Formada pelos países listados abaixo, tem como objetivos preservar e expandir o português pelo mundo e promover a cooperação política, social, econômica e cultural entre os países-membros. Abaixo (do lado esquerdo da tela), selo postal emitido por Macau, em 09/03/1954, para comemorar o centenário do primeiro selo postal de Portugal. Na ilustração pode-se ver o primeiro selo postal português (no centro) e o Brasão de Armas das antigas colônias de Portugal... 30/07/1993 – Série se-tenant de 2 valores “UCCLA – União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa”. Os selos mostram o Congresso em Brasília (Cr$ 15.000,00) e o Cristo Redendor no Rio de Janeiro (Cr$ 71.000,00). Picotagem: 11½ × 12. Tiragem: 1.000.200 cada. Impressão: Ofsete. Papel: Cuchê gomado. Yvert: 2119/2120. Scott: 2414. Michel: 2532/2533. RHM: C-1849/C-1850. Nota: Há um selo de Macau emitido no mesmo ano (1993) também alusivo a UCCLA (Yvert: 694). Do latim ao português Derivada do latim vulgar (popular), desenvolve-se na Lusitânia (atual Portugal e região espanhola da Galícia) a partir do final do século III antes de Cristo. Nessa época, o Império Romano conquista a região e institui o latim como língua oficial. Com as invasões bárbaras, no século V, o latim começa a entrar em decadência. A partir do século VIII deixa de ser falado, quando os árabes dominam a península Ibérica e impõem sua língua. A expulsão dos árabes, no século XII, leva à criação do reino de Portugal. O latim volta, então, a ser a língua predominante, embora já modificado pelas influências que recebeu dos povos bárbaros e do próprio árabe. Posteriormente, o idioma é reformulado e dá origem ao galego-português. Um dos primeiros documentos escritos nessa língua data de 1198: uma poesia, conhecida como Cantiga da Ribeirinha, escrita pelo trovador Paio Soares de Taveirós. Aos poucos, o galego-português vai sofrendo modificações e adquirindo, na região de Portugal, as características do português moderno. Quando a Dinastia Avis é fundada, em 1385, o português passa a ser a língua oficial. Com a expansão marítima portuguesa, entre os séculos XV e XVI, espalha-se por várias regiões da África, Ásia e América. Português – língua oficial do Brasil A língua falada no Brasil colonial não acompanha as mudanças ocorridas durante o século XVIII no português falado na metrópole: além de manter-se fiel à maneira de pronunciar da época da descoberta, o português falado no Brasil sofre fortes influências indígenas e africanas e, mais tarde, de imigrantes europeus que se instalam no centro-sul. Isso explica a presença de modalidades fonéticas tão distintas quanto as do nordestino, do mineiro ou do gaúcho, mesmo conservando uma rara uniformidade. A língua portuguesa no Brasil, apesar de falada em uma imensa extensão territorial, manteve sua unidade, variando apenas em questões superficiais de léxico e modalidades de pronúncias regionais. O idioma português chegou ao território brasileiro a bordo das naus portuguesas, no Século XVI, para se juntar à família linguística tupi-guarani, em especial o Tupinambá, um dos dialetos Tupi. Os índios, subjugados ou aculturados, ensinaram o dialeto aos europeus que, mais tarde, passaram a se comunicar nessa “língua geral”, o Tupinambá. Em 1694, a língua geral reinava na então colônia portuguesa, com características de língua literária, pois os missionários traduziam peças sacras, orações e hinos, na catequese... Com a chegada do idioma iorubá (Nigéria) e do quimbundo (Angola), por meio dos escravos trazidos da África, e com novos colonizadores, a Corte Portuguesa quis garantir uma maior presença política. Uma das primeiras medidas que adotou, então, foi obrigar o ensino da Língua Portuguesa aos índios... Língua indígena – A língua de contato entre o colonizador e os povos indígenas do litoral é o tupi mais precisamente o dialeto tupinambá. Os jesuítas estudam a língua, traduzem orações cristãs para a catequese e ela se estabelece como língua geral, ao lado do português, na vida cotidiana da colônia. Na metade do século XVIII, o tupi tem sua utilização proibida por uma Provisão Real de 1757. Nessa época, o português se fortalece com o afluxo de grande número de pessoas da metrópole. Com a expulsão dos jesuítas do país (1759), o português fixa-se definitivamente como o idioma do Brasil. Herança tupi – Da língua indígena, o português incorpora principalmente palavras referentes à flora (abacaxi, buriti, caju, carnaúba, cipó, imbuia, ipê, jabuticaba, jacarandá, mandacaru, mandioca, maracujá, peroba, pitanga, sapé, taquara), à fauna (araponga, caninana, capivara, curió, piranha, quati, sagui, sabiá, sucuri, tatu, urubu), a nomes geográficos (Aracaju, Guanabara, Itapeva, Niterói, Pindamonhangaba, Tijuca) e a nomes próprios (Bartira, Jurandir, Maíra, Ubirajara). Influência africana – O iorubá, falado pelos negros vindos da Nigéria, deixa o vocabulário ligado ao candomblé (nomes de divindades como Exu, Iansã) e à cozinha afro-brasileira (vatapá, abará, acarajé). O quimbundo angolano fornece palavras da vida cotidiana (caçula, cafuné, molambo, moleque) e termos relativos à escravidão (banguê, senzala, mocambo, maxixe, samba). O Português no Mundo Segundo dados de 1995 do Summer Institute of Linguistics da Universidade do Texas, Estados Unidos, o português é a sexta língua mais falada no mundo. É a língua materna de 170 milhões de falantes, concentrados em sete países. Além dos falantes nativos, 12 milhões de pessoas utilizam o português como segunda língua no mundo. América – O Brasil é o único país de língua portuguesa na América, com cerca de 163 milhões de falantes no total (língua materna e segunda língua). O português falado no Brasil colonial é influenciado pelas línguas indígenas, africanas e de imigrantes europeus. Isso explica as diferenças regionais na pronúncia e no vocabulário verificadas, por exemplo, no Nordeste e no Sul do país. Apesar disso, a língua conserva a uniformidade gramatical em todo o território. Europa – O português é a língua oficial de Portugal, falada aproximadamente por 10 milhões de portugueses (língua materna e segunda língua). Em 1986, o país passa a integrar a Comunidade Econômica Europeia (CEE) e a língua portuguesa é adotada como um dos idiomas oficiais da organização. Atualmente, mais de 1 milhão de cidadãos da União Europeia (antiga CEE) falam o português. Eles estão concentrados na França, Alemanha, Bélgica, em Luxemburgo e na Suécia. A França é o país com mais falantes (750 mil). Ásia – Entre os séculos XVI e XVIII, o português é a língua franca nos portos da Índia e sudeste da Ásia. Atualmente, a cidade de Goa, na Índia, é o único lugar do continente onde o português sobrevive na sua forma original, com 250 mil falantes no total. Entretanto, o idioma está sendo gradualmente substituído pelo inglês. Em Damão e Diu (na Índia), Java (Indonésia), Macau (ex-território português, de população predominantemente chinesa), Sri Lanka e Málaca (na Malásia) fala-se o crioulo, língua que conserva o vocabulário do português, mas adota formas gramaticais diferentes. África – O português é a língua oficial de 5 países, somando cerca de 7,5 milhões de falantes no total. Nesses países, o português oficial – usado na administração, no ensino, na imprensa e nas relações internacionais – convive com diversos dialetos crioulos. 1 – Em Angola, 60% dos moradores falam o português como língua materna. Cerca de 40% da população fala dialetos crioulos como o bacongo, o quimbundo, o ovibundo e o chacue. 2 – Em Cabo Verde, quase todos os habitantes falam o português e um dialeto crioulo, que mescla o português arcaico a línguas africanas. Há duas variedades desse dialeto, a de Barlavento e a de Sotavento. 3 – Em Guiné-Bissau, 86% da população fala o dialeto crioulo, semelhante ao de Cabo Verde, ou dialetos africanos, enquanto apenas 14% utiliza o português. 4 – Em Moçambique, 40% da população tem o português como língua oficial. Outros habitantes usam línguas locais, principalmente as do grupo banto. 5 – Nas ilhas de São Tomé e Príncipe, 95% dos habitantes falam a língua portuguesa. A minoria utiliza dialetos locais, como o forro e o moncó, além de línguas de Angola. O português é também falado em pequenas comunidades, reflexo de povoamentos portugueses do século XVI, como é o caso de Timor Leste (na Indonésia) que tem, além do português, o idioma tétum como oficial; também em Zanzibar (na Tanzânia, costa oriental da África). GUIA PRÁTICO DA NOVA ORTOGRAFIA Autor: Douglas Tufano – Professor e autor de livros didáticos de língua portuguesa © 2008 Editora Melhoramentos Ltda. | Diagramação: WAP Studio ISBN: 978-85-06-05464-2 | Ano: agosto de 2008 (1ª Edição) O ano de 1911 marca a primeira Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa... Em 1943 houve o Formulário Ortográfico... O sistema ortográfico adotado no Brasil foi o aprovado pela Academia Brasileira de Letras, na sessão de 12/08/1943, e simplificado pela Lei nº 5.765, de 18/12/1971. Houve uma reforma ortográfica feita no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (AO), assinado em Lisboa, no dia 16/12/1990, por representantes de sete países de língua portuguesa: Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e, posteriormente, por Timor Leste. No Brasil, esse Acordo foi aprovado pelo Decreto Legislativo nº 54, de 18/04/1995. Esse Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 entrou em vigor no Brasil em 2009... Assim, o nosso alfabeto, por exemplo, que possuia 23 letras (três a menos do que no alfabeto latino), passou a ter 26 letras, pois foram reintroduzidas as letras K, W e Y (figura abaixo). O alfabeto completo passa a ser: A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z. As letras k, w e y, que na verdade não tinham desaparecido da maioria dos dicionários da nossa língua, são usadas em várias situações. Por exemplo: a) na escrita de símbolos de unidades de medida: km (quilômetro), kg (quilograma), W (watt); b) na escrita de palavras e nomes estrangeiros (e seus derivados): show, playboy, playground, windsurf, kungfu, yin, yang, William, kaiser, Kafka, kafkiano. Observação: Para memorizar o número de letras do alfabeto, ou o número de Estados que compreende o Brasil, relacione ou associe um tema ao outro, pois o total de ambos os números é o mesmo: 26 (um número a menos do que as 27 estrelas na Bandeira Nacional, pois nela há uma estrela que representa Brasília). TREMA – Não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre a letra u para indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos gue, gui, que, qui. O trema permanece apenas nas palavras estrangeiras e em suas derivadas. Exemplos: Bündchen, Müller, mülleriano. – Mudanças nas regras de acentuação 1. Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba). Por exemplo: alcaloide, alcateia, androide, apoia, eu apoio (verbo apoiar), assembleia, asteroide, boia, Cananeia, celuloide, claraboia, colmeia, Coreia, debiloide, epopeia, estoico, estreia, eu estreio (verbo estrear), geleia, heroico, ideia, jiboia, joia, Lindoia, odisseia, paranoia, paranoico, plateia, tramoia etc. Atenção: essa regra é válida somente para palavras paroxítonas. Assim, continuam a ser acentuadas as palavras oxítonas terminadas em éis, éu, éus, ói, óis. Exemplos: papéis, herói, heróis, troféu, troféus. Nota: Palavras que eu não sei: européia, européias, Galiléia, Judéia, Juréia, Paulicéia, Pompéia, Tróia...? (matéria sp) 2. Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no u tônicos quando vierem depois de um ditongo. Como baiuca, Bocaiuva, cauila, feiura. Atenção: se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição final (ou seguidos de s), o acento permanece. Exemplos: tuiuiú, tuiuiús, Piauí. 3. Não se usa mais o acento das palavras terminadas em êem e ôo(s). Exemplos: abençôo abençoo, crêem (verbo crer) creem, dêem (verbo dar) deem, dôo (verbo doar) doo, enjôo enjoo, lêem (verbo ler) leem, magôo (verbo magoar) magoo, perdôo (verbo perdoar) perdoo, povôo (verbo povoar) povoo, vêem (verbo ver) veem, vôos voos, zôo zoo. 4. Não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/para, péla(s)/ pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera. Ele para o carro. Ele foi ao Polo Norte. Ele gosta de jogar polo. Esse gato tem pelos brancos. Comi uma pera. Nota: O acento diferencial deixa de existir em palavras homófonas (que têm o mesmo som, mas significados diferentes). É o que acontece com pára (do verbo parar) e para (preposição). • Permanece o acento diferencial em pôde/pode. Pôde é a forma do passado do verbo poder (pretérito perfeito do indicativo), na 3ª pessoa do singular. Pode é a forma do presente do indicativo, na 3ª pessoa do singular. Exemplo: Ontem, ele não pôde sair mais cedo, mas hoje ele pode. • Permanece o acento diferencial em pôr/por. Pôr é verbo. Por é preposição. Exemplo: Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim. • Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e vir, assim como de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir etc.). Exemplos: Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros. Ele vem de Sorocaba. / Eles vêm de Sorocaba. Ele mantém a palavra. / Eles mantêm a palavra. Ele convém aos estudantes. / Eles convêm aos estudantes. Ele detém o poder. / Eles detêm o poder. Ele intervém em todas as aulas. / Eles intervêm em todas as aulas. • É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a frase mais clara. Veja este exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo? 5. Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis, (ele) argui, (eles) arguem, do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir. 6. Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados em guar, quar e quir, como aguar, averiguar, apaziguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir etc. Esses verbos admitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo, do presente do subjuntivo e também do imperativo. Veja: a) se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas formas devem ser acentuadas. Exemplos: • verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam; enxágue, enxágues, enxáguem • verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque, delínquem; delínqua, delínquas, delínquam b) se forem pronunciadas com u tônico, essas formas deixam de ser acentuadas. Exemplos (a vogal sublinhada é tônica, isto é, deve ser pronunciada mais fortemente que as outras): • verbo enxaguar: enxaguo, enxaguas, enxagua, enxaguam; enxague, enxagues, enxaguem • verbo delinquir: delinquo, delinques, delinque, delinquem; delinqua, delinquas, delinquam Atenção: No Brasil a pronúncia mais corrente é a primeira, aquela com A e I tônicos. Todas as palavras proparoxítonas (a antepenúltima sílaba é a tônica) pertencentes à Língua Portuguesa sempre são acentuadas, salvo a expressão per capita e os substantivos habitat e performance. Existem algumas palavras estrangeiras bastante usadas no Brasil que, por não pertencerem ao nosso idioma, não recebem acento gráfico. Habitat (pronuncia-se hábita ou pronúncia habitát?): Palavra latina, cujo significado é conjunto de circunstâncias físicas e geográficas que oferece condições favoráveis à vida e ao desenvolvimento de determinada espécie animal ou vegetal ou local onde algo é geralmente encontrado ou onde alguém se sente em seu ambiente ideal. Performance: Palavra de origem inglesa, cujo significado é exercício de atuar, de desempenhar; atuação, desempenho. Per capita: Expressão latina, cujo significado é por cabeça. Fonte (adaptada): www.jurisway.org.br. Notas: Plural habitats. Micro-habitat... HÍFEN – HIFENS ► Deve-se usar o hífen nas palavras compostas comuns quando o primeiro elemento for ADJETIVO, SUBSTANTIVO, NUMERAL ou VERBO. Exemplos: boa-fé, criado-mudo, decreto-lei, guarda-noturno, guarda-chuva, para-brisa, para-choque (sem acento no para) etc. Também em adjetivos pátrios (de identidade): afro-americano, afro-descendente, anglo-saxão, indo-europeu, ítalo-brasileira, latino-americano. Compostos com apóstrofo também levam hífen: cobra-d’água, mãe-d’água, mestre-d’armas. Compostos com elementos repetidos têm hífen: tico-tico, tique-taque, pingue-pongue, blá-blá-blá. Nota: Não tem mais hífen pôr do Sol. ► Deve-se usar o hífen nos compostos que designam espécies ANIMAIS e VEGETAIS (nomes de bichos, plantas, flores, frutos, raízes, sementes), tenham ou não elementos de ligação. Exemplos: andorinha-da-serra, bem-te-vi, joão-de-barro, mico-leão-dourado, lebre-da-patagônia, peixe-espada, peixe-do-paraíso, amor-perfeito, bem-me-quer, cana-de-açúcar, coco-da-baía, couve-flor, cravo-da-índia, erva-de-cheiro, erva-doce, ervilha-de-cheiro, feijão-verde, não-me-toques, pimenta-do-reino, peroba-do-campo. Observação: Não se usa o hífen, quando os compostos que designam espécies botânicas e zoológicas são empregados fora de seu sentido original. Por exemplo: • bico-de-papagaio (espécie de planta ornamental) – bico de papagaio (deformação nas vértebras) • olho-de-boi (espécie de peixe) – olho de boi (espécie de selo postal) ► Locuções: A) água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, (ao) deus-dará, mais-que-perfeito, pé-de-meia, (à) queima-roupa etc. B) arco e flecha, bumba meu boi, café com leite, cão de guarda, cor de vinho, dia a dia, disse me disse, fim de semana, ponto e vírgula, tão somente, tomara que caia etc. ► Deve-se usar o hífen em nomes geográficos compostos, antecedidos de GRÃ (Grã-Bretanha, grã-cruz, grã-fino, grã-ducado) e GRÃO (grão-mestre, grão-duque, Grão-Pará, grão-rabino) ou VERBOS de qualquer tipo (Passa-Quatro)... ► Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares. Os encadeamentos vocabulares levam hífen (e não mais traço). Exemplos: A relação professor-aluno, ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo, trajeto Tóquio-São Paulo, acordo Angola-Brasil, Áustria-Hungria, Alsácia-Lorena. ► Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição, isto é, se a noção de composição desapareceu com o tempo, deve-se unir o composto sem hífen. Exemplos: girassol, madressilva, mandachuva (perdida a noção do verbo mandar), paraquedas, paraquedismo e paraquedista (perdida a noção do verbo parar), pontapé. ► PREFIXO (primeiro elemento) – A principal modificação na questão de palavras prefixadas foi a unificação da norma, que passa a ser aplicada uniformemente aos verdadeiros prefixos (ante, anti, intra, pré, sub, super etc.) e aos falsos prefixos (aero, agro, eletro, macro, micro, mini, mono etc.). As observações a seguir referem-se ao uso do hífen em palavras formadas por prefixos ou por elementos que podem funcionar como prefixos, como: • Prefixos que terminam em vogal: aero, agro, ante, anti, arqui, auto, co, contra, eletro, entre, ex, extra, geo, hidro, infra, intra, macro, micro, mini, multi, mono, neo (termo que indica novo), pluri, proto, pós, pré, pró, pseudo, retro, semi (termo que indica metade, meio), sobre, supra, tele, ultra, vice etc. • Prefixos que terminam em consoante: além, aquém, circum, ex, hiper, inter, pan, pós, pré, pró, recém, sem, sub, super etc. Nota: O prefixo anti- só é seguido de hífen quando se liga a elemento começado por h ou i; no caso de antes de r e de s não há hífen e essas consoantes se duplicam; nos demais casos nunca com hífen: anti-histórico, anti-infeccioso, antirregulamentar, antissoviético... Nota: Mantém-se a grafia sem hífen com os prefixos DES, DIS, IN, RE, TRANS, entre outros de uso consagrado. Exemplos: deserdar, inabilitar, reemissão, reemitida, reequilibrar, reimpressão, reintroduzir, repovoamento, transcontinental, transoceânico etc. ► LETRA H – Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por H. Exemplos: anti-hemorrágico, anti-heroi, anti-higiênico, anti-histórico, anti-horário, co-herdeiro, eletro-hidráulico, macro-história, micro-história, mini-hotel, neo-humanismo, proto-história, pseudo-herói, semi-hospitalar, sobre-humano, super-homem, ultra-humano. ► VOGAL + VOGAL IGUAL – Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma vogal. Exemplos: anti-ibérico, anti-imperialista, anti-inflacionário, anti-inflamatório, arqui-inimigo, auto-observação, contra-almirante, contra-atacar, contra-ataque, eletro-ótica, micro-ondas, micro-ônibus, micro-orgânico, semi-internato, semi-interno. ► VOGAL + VOGAL DIFERENTE – Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento. Exemplos: aeroespacial, agroindústria, agroindustrial, anteontem, antiaéreo, antieducativo, autoadesivo, autoajuda, autoaprendizagem, autoescola, autoestrada, autoexpressão, autoinstrução, coautor, coedição, infraestrutura, neoescolástico, plurianual, semiaberto, semianalfabeto, semiautomático, semiesférico, semioficial, semiopaco, sobreaviso. Nota: Com o prefixo EXTRA não se usa o hífen, a única exceção é extraordinário, que se escreve sem hífen. Exemplos: extraescolar, extraoficial, extraregimental, extrarregular etc. Exceção: O prefixo CO aglutina-se em geral com o segundo elemento, quando este se inicia por O: coobrigar, coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante etc. ► VOGAL + CONSOANTE (exceto o H e diferente de R ou S) – Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante. Exemplos: antecoxa, anteprojeto, anticolonial, antipedagógico, autocolante, autoconfiança, autopeça, autoproteção, coprodução, ecodesenvolvimento, geopolítica, infravermelho, microcomputador, pseudoprofessor, semicírculo, semideus, seminovo, semiprofissional, ultramoderno, vasodilatador. Atenção: Com o prefixo VICE, usa-se sempre o hífen. Exemplos: vice-almirante, vice-diretor, vice-governador, vice-prefeito, vice-presidente, vice-rei, vice-reitor etc. ► VOGAL + R ou S – Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por R ou S. Nesse caso, duplicam-se essas letras. Exemplos: anterrepublicano, antessala, antirrábico, antirracismo, antirreligioso, antirrugas, antissemita, antissocial, autorrealização, autorretrato, autosserviço, biorritmo, contrarregra, contrassenha, contrassenso, cosseno, ecorregião?, ecossistema, infrassom, microssistema, minirreforma, minissaia, multissecular, neorrealismo, neossimbolista, psicossocial, semirreta, suprassumo, ultrarresistente, ultrassom, ultrassonografia. ► HIPER, INTER E SUPER + R – Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma consoante. Exemplos: hiper-requintado, inter-racial, inter-regional, inter-relacionado, super-racista, super-reacionário, super-resistente, super-revista, super-romântico. Atenção: Nos demais casos não se usa o hífen. Exemplos: hipermercado, intermunicipal, superinteressante, superproteção. • Com os prefixos CIRCUM e PAN, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por H, M, N e VOGAL: circum-hospitalar, circum-escolar, circum-murado, circum-navegação, circum-navegar, pan-africano, pan-americano, pan-mágico, pan-negritude etc. ► HIPER, INTER E SUPER + VOGAL – Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o segundo elemento começar por vogal (há exceção de mal-estar). Exemplos: hiperacidez, hiperativo, interescolar, interestadual, interestelar, interestudantil, superamigo, superaquecimento, supereconômico, superexigente, superexposto, superinteressante, superotimismo. ► SUB – O prefixo SUB só exige hífen quando a palavra seguinte, ou seja, seu radical, começar com B ou R. Portanto só haverá hífen nas palavras: sub-base, sub-bibliotecário, sub-raça, sub-região, sub-regra, sub-reino, sub-reitor, sub-reptício (conseguido por meio de sub-repção, de maneira desleal e ilícita) etc. SUB + VOGAL (não se usa o hífen) – subabdominal (situado abaixo do abdome), subaéreo, subafluente, subagência, subagente, subalimentação, subalimentar, subaquático, subarquivista, subeditor, subemprego, subentendido, subespécie, subestação, subexposto, subitem, subocular, suboficial, subordem etc. SUB + CONSOANTE (não se usa o hífen) – subcategoria, subchefe, subcircunscrição, subclasse, subclima, subcomandante, subcomissão, subconjunto, subconsciência, subconsumo, subcontinental, subcontinente, subcutâneo, subdelegado, subdesenvolvido, subdiretor, subdiretório, subdivisão, subfamília, subfilo, subgênero, subgerente, subgrupo, subjugado, sublocação, submata, submundo, subnomenclatura, subnutrido, subpartição, subprefeitura, subsaariana, subtítulo, subtotal etc. Atenção: Segundo a regra antiga, se a palavra seguinte começasse pela letra H, deveríamos escrever sem hífen: subepático e subumano (as palavras perdiam a letra H). Mas o atual acordo ortográfico recomenda as formas com hífen: sub-hepático e sub-humano. No entanto, o peso da tradição herdada das reformas da década de 40 manda aceitar ambas as formas, pois me parece que as duas possibilidades são aceitas: sub-humano ou subumano, por exemplo... ► Com os prefixos ALÉM, AQUÉM, EX, PÓS, PRÉ, PRÓ, RECÉM, SEM usa-se sempre o hífen. Exemplos: além-fronteiras, além-mar, além-mundo, além-túmulo, aquém-fronteiras, aquém-mar, aquém-oceano, ex-aluno, ex-colônia, ex-diretor, ex-hospedeiro, ex-prefeito, ex-presidente, ex-senador, pós-datar, pós-escrito, pós-graduação, pós-guerra, pré-alfabetizado, pré-datado, pré-disposição, pré-franqueado, pré-história, pré-vestibular, pró-aliado, pró-americano, pró-britânico, pró-europeu, pró-reitor, pós-escrito, recém-casado, recém-chegado, recém-fabricado, recém-lançado, recém-nascido, sem-fim, sem-terra, sem-vergonha. BEM (bem-apresentado, bem-aventurado, bem-estar, bem-querer, bem-vindo). Quando o bem se aglutina com o segundo elemento, não se usa hífen: benfeitor, benfeitoria, benquerer, benquisto. ► Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: AÇU, GUAÇU e MIRIM. Exemplos: amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu. ► Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte. Exemplos: Na cidade, conta- -se que ele foi viajar. O diretor recebeu os ex- -alunos. Atravesso a ponte Rio- -Niterói. OUTROS Quando usar crase? Uma dica é substituir a crase por “ao”, caso essa preposição seja aceita sem prejuízo de sentido, então há crase. Casos em que a crase é empregada obrigatoriamente: antes de adjuntos adverbiais de tempo e diante da palavra horas (às 10 horas). Diante de possessivos femininos usados em função adjetiva (minha, tua, sua, nossa vossa), o acento é facultativo. A crase não ocorre: antes de palavras masculinas; antes de verbos, de pronomes pessoais, de nomes de cidade que não utilizam o artigo feminino, da palavra casa quando tem significado do próprio lar, da palavra terra quando tem sentido de solo e de expressões com palavras repetida. Exemplos: estar à altura, faltar às aulas, chegar à conclusão, à custa de, à direita, estar à disposição, à escolha, estar à espera de, à esquerda, à evidência, à falta, à feição, à força, dar à luz, à maneira, à medida que, à moda, à noite, uma à outra, à primeira vista, à proporção que, igual à que, à raiz, exceção à regra, à revelia, à risca, à saída, à semelhança, à tarde, às vezes, estar ou saltar à vista, estar à vontade, às claras, às margens de, às ordens etc. Nota: Veja mais na página (www.recantodasletras.com.br/gramatica/929382). Quando usar c cedilhado em lugar de ss? De modo geral, os substantivos terminados em -ção (-ssão) em português escrevem-se com ç ou ss, conforme derivem de palavras latinas terminadas em -tione ou -sione. Exemplos: exceptione – exceção, extensione – extensão, punctione – punção, pressione – pressão, tensione – tensão, tortione – torção. Escrevem-se ainda com cedilha (“ç” ou “Ç”): a) Derivados de verbos terminados em ter: abster/abstenção, conter/contenção, deter/detenção, ater/atenção, reter/retenção. b) Palavras formadas com os sufixos: aça, aço, ação, çar, iça, iço, nça, uça, uço. Ex.: bagaço, barcaça, couraça, ricaço, cortiça, aguçar, carniça, caniço, esperança, carapuça, dentuço. c) Após ditongos: eleição, traição, beiço, louça, equação. d) depois de in e un. Ex.: distinção, função. e) Palavras de origem tupi, africana ou exótica: açaí, cachaça, caçula, cupuaçu, Iguaçu, jararacuçu, Juçara, maniçoba, Uruaçu. A letra “ç” é usada em vocábulos derivados do tupi-guarani. f) Palavras de origem árabe: açafrão, açoite, açúcar, açucena, açude, mulçumano. g) Palavras derivadas de outras terminadas em to(r): ato/ação, executar/execução, infrator/infração, absorto/absorção. Letras Maiúsculas Títulos de obras intelectuais, literárias e artísticas. Exemplos: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Eles Não Usam Black-Tie, Casa Grande e Senzala, O Bêbado e a Equilibrista, Abaporu. Altos conceitos religiosos ou políticos. Exemplos: Nação, Pátria, Senado, Igreja. Nomes de épocas históricas e eras ou períodos geológicos. Exemplos: Idade Média, República Velha, Renascença, Período Neolítico, Era Mesozóica. Nomes de eventos históricos e festas religiosas. Exemplos: Proclamação da República, Natal, Ramadã. Nomes de concursos e eventos. Exemplos: Festival Internacional da Canção, Congresso Brasileiro de Cardiologia. As palavras Oriente e Ocidente e os nomes dos pontos cardeais quando usados para citar regiões. Exemplos: a cultura do Oriente, as cidades do Nordeste. Tautologia Tautologia é o termo usado para definir um dos vícios de linguagem. Consiste na repetição de um mesmo conceito ou ideia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido. O exemplo clássico é o famoso “subir para cima” ou o “descer para baixo”. Note que todas essas repetições são dispensáveis. Por exemplo, “surpresa inesperada”. Existe alguma surpresa esperada? É óbvio que não. Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que utiliza no seu dia-a-dia. Alguns exemplos: elo de ligação; acabamento final; certeza absoluta; quantia exata; nos dias 8, 9 e 10, inclusive; expressamente proibido; em duas metades iguais; sintomas indicativos; há anos atrás; vereador da cidade; outra alternativa; detalhes minuciosos; a razão é porque; superávit positivo; todos foram unânimes; conviver junto; fato real; encarar de frente; multidão de pessoas; amanhecer o dia; criação nova; retornar de novo; empréstimo temporário; escolha opcional; planejar antecipadamente; abertura inaugural; continua a permanecer; a última versão definitiva; possivelmente poderá ocorrer; comparecer em pessoa; gritar bem alto; propriedade característica; demasiadamente excessivo; a seu critério pessoal; exceder em muito. “GRUPO VERBO” A Editorial Verbo foi fundada em 1958, na cidade de Lisboa – Portugal. A Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira de Cultura, Edição Século XXI, ímpar no panorama nacional é a mais importante obra de referência naquele país. O “Grupo Verbo” é formado pela Editoral Verbo S.A.; EDC – Crediverbo; Verbo Postal; Editora Ulisséia, Verbo Publicações Periódicas; Universidade Católica Editora, Confraria dos Apreciadores de Vinhos; Tri-Chem; Litécnica (Luanda – Angola); Mabuko (Maputo – Moçambique) e a Editora Verbo (São Paulo – Brasil), a qual foi criada em 1966 e é braço atuante da Editorial Verbo no Brasil. Distribui edições do próprio Grupo, bem como publica edições brasileiras. ► EDITORA EDITORIAL VERBO S.A. – www.editorialverbo.pt Sede: Av. António Augusto de Aguiar, 148 – 1069 – 019 Lisboa – Portugal Rua da Figueira, 215 – Parque D. Pedro II – CEP: 03006-000 – São Paulo – Brasil Telefone: (11) 3313-5214 – verbo@editoraverbo.com.br – www.editoraverbo.com.br Abaixo, títulos publicados pela Editora relacionados com as girafas: Autor: Lucienne Erville | Ilustração: Philippe Salembier — Título: A GIRAFA GIGI E A ZEBRA ZEZÉ (A girafa Gigi e a zebra Zezé) ISBN: | Idioma: Português de Portugal Editora: Editora Verbo (Lisboa) | Série/Coleção: Verbo Infantil 85 Ano da Obra – Copyright: | Edição: 1ª 1978 Segmento: Literatura Estrangeira – Literatura Portuguesa – Literatura Infanto-juvenil Ficha Técnica – Tipo de capa: Brochura | Formato: cm. | Nº de páginas: 21 Autor: Nadine Saunier, Marcelle Geneste e Anne Leduc | Ilustração: n/c | ESGOTADO — Título: A GIRAFA (A girafa) ISBN: 9722211447 | ISBN-13: 9789722211444 | Idioma: Português de Portugal Editora: Editora Verbo Jurídico (Lisboa) | Verbo (Brasil) | Série/Coleção: Animais Nossos Amigos Ano da Obra – Copyright: 1988 | Edição: 1ª 1988, 1990, 2ª 1991 Segmento: Literatura Estrangeira – Literatura Portuguesa – Literatura Infantil Ficha Técnica – Tipo de capa: Encadernado | Formato: 19 x 22 cm. | Peso: 150g | Nº de páginas: 20 | Descrição: assunto sobre girafas, mamíferos... Autor: Hergé | Ilustração: n/c — Título: ANITA NO JARDIM ZOOLÓGICO (Anita no jardim zoológico) Código: 9722205250 | Editora: Verbo Segmento: Literatura Estrangeira – Literatura Portuguesa – Literatura Infantil – Ficção Infanto-juvenil Formato: 23 x 30,5 cm. | Páginas: 64 | Preço: R$ 33,00 Nota (não sei o que é... deve ser algum brinquedo relacionado ao livro): L. Cubo – Anita e os animais do jardim zoológico | Código: 9722222147 | Preço: R4 52,00 — Título: GIRAFA (Girafa) | A partir dos 3 anos | Livros de cartão ISBN : 972568406X | ISBN 13: 9789725684061 | Formato: 24 x 24 cm. | Páginas: 8 | R$ 22,25 (Cia. dos Livros, 30/03/09) ► EDITORA ULISSEIA Av. António Augusto de Aguiar, 148 – 1º 1050 – 021 – Lisboa – Portugal ulisseia@editorialverbo.pt A Editora Ulisseia foi fundada em 1948 e tem sido reconhecida como uma das mais importantes editoras portuguesas das décadas de 50 e 60, sendo considerada como a mais inovadora casa de edição portuguesa no dominío da literatura de ficção. Em 1972, a Editora Ulisseia foi adquirida pelo Grupo Verbo e em 2001 retoma a atividade no campo da ficção. — Título: A GIRAFA (A Girafa) | Autor: Diversos | Editora: Ulisseia | Preço sugerido: R$ 38,00 (Livraria Saraiva) “REVISÃO DE TEXTOS” Joralima TEXTO – Redação, Adequação e Revisão de Textos orientação redação revisão • Revisão de texto • Adequação aos diversos formatos e estilos • Redação de textos • Digitação e formatação • Tradução e revisão (inglês) • Orientação redacional Jorge de Lima – Bacharel em Letras – FFLCH/USP Informações: (11) 3266-9405 ou (11) 9830-1678 E-mail: joralima@usp.br – Página na internet: http://joralimatexto.blogspot.com Última atualização: 21/05/2012.

sábado, 1 de setembro de 2012

Museu da Língua portuguesa

Museu da língua portuguesa no youtube www.museulinguaportuguesa.org.br www.museulinguaportuguesa.org.br

sábado, 5 de novembro de 2011

A terceira margem do rio - voz de Milton Nascimento

http://letras.terra.com.br/milton-nascimento/808210/

OUVIR: A terceira margem do rio, com Milton Nascimento

http://letras.terra.com.br/milton-nascimento/808210/

A TERCEIRA MARGEM DO RIO - Guimaraens Rosa

A Terceira Margem do Rio
Guimarães Rosa

Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros, conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia, e que ralhava no diário com a gente — minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa.

Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a idéia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo, de não se poder ver a forma da outra beira. E esquecer não posso, do dia em que a canoa ficou pronta.

Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez a alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: — "Cê vai, ocê fique, você nunca volte!" Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: — "Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?" Ele só retornou o olhar em mim, e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.

Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para. estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos, se reuniram, tomaram juntamente conselho.

Nossa mãe, vergonhosa, se portou com muita cordura; por isso, todos pensaram de nosso pai a razão em que não queriam falar: doideira. Só uns achavam o entanto de poder também ser pagamento de promessa; ou que, nosso pai, quem sabe, por escrúpulo de estar com alguma feia doença, que seja, a lepra, se desertava para outra sina de existir, perto e longe de sua família dele. As vozes das notícias se dando pelas certas pessoas — passadores, moradores das beiras, até do afastado da outra banda — descrevendo que nosso pai nunca se surgia a tomar terra, em ponto nem canto, de dia nem de noite, da forma como cursava no rio, solto solitariamente. Então, pois, nossa mãe e os aparentados nossos, assentaram: que o mantimento que tivesse, ocultado na canoa, se gastava; e, ele, ou desembarcava e viajava s'embora, para jamais, o que ao menos se condizia mais correto, ou se arrependia, por uma vez, para casa.

No que num engano. Eu mesmo cumpria de trazer para ele, cada dia, um tanto de comida furtada: a idéia que senti, logo na primeira noite, quando o pessoal nosso experimentou de acender fogueiras em beirada do rio, enquanto que, no alumiado delas, se rezava e se chamava. Depois, no seguinte, apareci, com rapadura, broa de pão, cacho de bananas. Enxerguei nosso pai, no enfim de uma hora, tão custosa para sobrevir: só assim, ele no ao-longe, sentado no fundo da canoa, suspendida no liso do rio. Me viu, não remou para cá, não fez sinal. Mostrei o de comer, depositei num oco de pedra do barranco, a salvo de bicho mexer e a seco de chuva e orvalho. Isso, que fiz, e refiz, sempre, tempos a fora. Surpresa que mais tarde tive: que nossa mãe sabia desse meu encargo, só se encobrindo de não saber; ela mesma deixava, facilitado, sobra de coisas, para o meu conseguir. Nossa mãe muito não se demonstrava.

Mandou vir o tio nosso, irmão dela, para auxiliar na fazenda e nos negócios. Mandou vir o mestre, para nós, os meninos. Incumbiu ao padre que um dia se revestisse, em praia de margem, para esconjurar e clamar a nosso pai o 'dever de desistir da tristonha teima. De outra, por arranjo dela, para medo, vieram os dois soldados. Tudo o que não valeu de nada. Nosso pai passava ao largo, avistado ou diluso, cruzando na canoa, sem deixar ninguém se chegar à pega ou à fala. Mesmo quando foi, não faz muito, dos homens do jornal, que trouxeram a lancha e tencionavam tirar retrato dele, não venceram: nosso pai se desaparecia para a outra banda, aproava a canoa no brejão, de léguas, que há, por entre juncos e mato, e só ele conhecesse, a palmos, a escuridão, daquele.

A gente teve de se acostumar com aquilo. Às penas, que, com aquilo, a gente mesmo nunca se acostumou, em si, na verdade. Tiro por mim, que, no que queria, e no que não queria, só com nosso pai me achava: assunto que jogava para trás meus pensamentos. O severo que era, de não se entender, de maneira nenhuma, como ele agüentava. De dia e de noite, com sol ou aguaceiros, calor, sereno, e nas friagens terríveis de meio-do-ano, sem arrumo, só com o chapéu velho na cabeça, por todas as semanas, e meses, e os anos — sem fazer conta do se-ir do viver. Não pojava em nenhuma das duas beiras, nem nas ilhas e croas do rio, não pisou mais em chão nem capim. Por certo, ao menos, que, para dormir seu tanto, ele fizesse amarração da canoa, em alguma ponta-de-ilha, no esconso. Mas não armava um foguinho em praia, nem dispunha de sua luz feita, nunca mais riscou um fósforo. O que consumia de comer, era só um quase; mesmo do que a gente depositava, no entre as raízes da gameleira, ou na lapinha de pedra do barranco, ele recolhia pouco, nem o bastável. Não adoecia? E a constante força dos braços, para ter tento na canoa, resistido, mesmo na demasia das enchentes, no subimento, aí quando no lanço da correnteza enorme do rio tudo rola o perigoso, aqueles corpos de bichos mortos e paus-de-árvore descendo — de espanto de esbarro. E nunca falou mais palavra, com pessoa alguma. Nós, também, não falávamos mais nele. Só se pensava. Não, de nosso pai não se podia ter esquecimento; e, se, por um pouco, a gente fazia que esquecia, era só para se despertar de novo, de repente, com a memória, no passo de outros sobressaltos.

Minha irmã se casou; nossa mãe não quis festa. A gente imaginava nele, quando se comia uma comida mais gostosa; assim como, no gasalhado da noite, no desamparo dessas noites de muita chuva, fria, forte, nosso pai só com a mão e uma cabaça para ir esvaziando a canoa da água do temporal. Às vezes, algum conhecido nosso achava que eu ia ficando mais parecido com nosso pai. Mas eu sabia que ele agora virara cabeludo, barbudo, de unhas grandes, mal e magro, ficado preto de sol e dos pêlos, com o aspecto de bicho, conforme quase nu, mesmo dispondo das peças de roupas que a gente de tempos em tempos fornecia.

Nem queria saber de nós; não tinha afeto? Mas, por afeto mesmo, de respeito, sempre que às vezes me louvavam, por causa de algum meu bom procedimento, eu falava: — "Foi pai que um dia me ensinou a fazer assim..."; o que não era o certo, exato; mas, que era mentira por verdade. Sendo que, se ele não se lembrava mais, nem queria saber da gente, por que, então, não subia ou descia o rio, para outras paragens, longe, no não-encontrável? Só ele soubesse. Mas minha irmã teve menino, ela mesma entestou que queria mostrar para ele o neto. Viemos, todos, no barranco, foi num dia bonito, minha irmã de vestido branco, que tinha sido o do casamento, ela erguia nos braços a criancinha, o marido dela segurou, para defender os dois, o guarda-sol. A gente chamou, esperou. Nosso pai não apareceu. Minha irmã chorou, nós todos aí choramos, abraçados.

Minha irmã se mudou, com o marido, para longe daqui. Meu irmão resolveu e se foi, para uma cidade. Os tempos mudavam, no devagar depressa dos tempos. Nossa mãe terminou indo também, de uma vez, residir com minha irmã, ela estava envelhecida. Eu fiquei aqui, de resto. Eu nunca podia querer me casar. Eu permaneci, com as bagagens da vida. Nosso pai carecia de mim, eu sei — na vagação, no rio no ermo — sem dar razão de seu feito. Seja que, quando eu quis mesmo saber, e firme indaguei, me diz-que-disseram: que constava que nosso pai, alguma vez, tivesse revelado a explicação, ao homem que para ele aprontara a canoa. Mas, agora, esse homem já tinha morrido, ninguém soubesse, fizesse recordação, de nada mais. Só as falsas conversas, sem senso, como por ocasião, no começo, na vinda das primeiras cheias do rio, com chuvas que não estiavam, todos temeram o fim-do-mundo, diziam: que nosso pai fosse o avisado que nem Noé, que, por tanto, a canoa ele tinha antecipado; pois agora me entrelembro. Meu pai, eu não podia malsinar. E apontavam já em mim uns primeiros cabelos brancos.

Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio — pondo perpétuo. Eu sofria já o começo de velhice — esta vida era só o demoramento. Eu mesmo tinha achaques, ânsias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reumatismo. E ele? Por quê? Devia de padecer demais. De tão idoso, não ia, mais dia menos dia, fraquejar do vigor, deixar que a canoa emborcasse, ou que bubuiasse sem pulso, na levada do rio, para se despenhar horas abaixo, em tororoma e no tombo da cachoeira, brava, com o fervimento e morte. Apertava o coração. Ele estava lá, sem a minha tranqüilidade. Sou o culpado do que nem sei, de dor em aberto, no meu foro. Soubesse — se as coisas fossem outras. E fui tomando idéia.

Sem fazer véspera. Sou doido? Não. Na nossa casa, a palavra doido não se falava, nunca mais se falou, os anos todos, não se condenava ninguém de doido. Ninguém é doido. Ou, então, todos. Só fiz, que fui lá. Com um lenço, para o aceno ser mais. Eu estava muito no meu sentido. Esperei. Ao por fim, ele apareceu, aí e lá, o vulto. Estava ali, sentado à popa. Estava ali, de grito. Chamei, umas quantas vezes. E falei, o que me urgia, jurado e declarado, tive que reforçar a voz: — "Pai, o senhor está velho, já fez o seu tanto... Agora, o senhor vem, não carece mais... O senhor vem, e eu, agora mesmo, quando que seja, a ambas vontades, eu tomo o seu lugar, do senhor, na canoa!..." E, assim dizendo, meu coração bateu no compasso do mais certo.

Ele me escutou. Ficou em pé. Manejou remo n'água, proava para cá, concordado. E eu tremi, profundo, de repente: porque, antes, ele tinha levantado o braço e feito um saudar de gesto — o primeiro, depois de tamanhos anos decorridos! E eu não podia... Por pavor, arrepiados os cabelos, corri, fugi, me tirei de lá, num procedimento desatinado. Porquanto que ele me pareceu vir: da parte de além. E estou pedindo, pedindo, pedindo um perdão.

Sofri o grave frio dos medos, adoeci. Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro — o rio.

Texto extraído do livro "Primeiras Estórias", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1988, pág. 32, cuja compra e leitura recomendamos.
Tudo sobre o autor e sua obra em "
Biografias".

Conto para leitura: 2º e 3º "EE João Lourenço"

Em A terceira margem do rio Guimarães Rosa aborda a loucura e o abandono com a poesia e a linguagem, quais, caracterizam o grande escritor. É a metáfora da origem, do destino e da travessia, a necessidade de viver as águas, ora violentas, ora calmas, do rio com o objetivo de chegar ao lugar almejado. O conto narra a história de um homem que repentinamente manda construir uma canoa, passando a habitar a terceira margem do rio. Mais do que a preocupação em caracterizar o pai, as palavras do narrador denunciam a tentativa de retratá-lo como um homem normal, em nada destoando dos outros pais do lugar. Depois de se isolar na canoa, o pai entra na categoria do diferente, e isso choca o senso comum: Nosso pai não voltou. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. Ao dizer que “aquilo que não havia, acontecia”, o narrador evidencia a atitude vanguardista do pai, que ousou buscar a diferença. Dirigindo-se ao rio, propõe ao pai que troque de lugar com ele, que então assumiria esse papel. As palavras do narrador traduzem o sentido latente da opção feita pelo pai: tem de haver alguém que ouse desafiar as regras estabelecidas, que proponha o novo, o diferente, o inesperado. O pai atende ao apelo, mas o narrador fraqueja. A terceira margem do rio apresenta alguns elementos recorrentes na ficção rosiana. A imagem da travessia como alegoria do viver, tão explorada em Grande sertão: Veredas, já é prenunciada no conto. Uma vez que a travessia traz consigo toda a simbologia da existência humana, a escolha do pai pela terceira margem sugere, simultaneamente, a defesa de um espaço de exceção, expresso pela margem, e a inserção do insólito, na atopia, no entrelugar, no não-lugar indicado pela referência a uma terceira margem. Em termos filosóficos, isso equivale à obtenção da síntese, apogeu do processo dialético, momento de equilíbrio. O fato de o pai, em vez de chegar a algum lugar, preferir continuar na canoa, traduz a sua consciência do aspecto mutável da existência. O contraste entre o modus vivendi do pai e o senso comum é metonimizado pela sua relação com o filho. Aquele que poderia continuar o projeto do pai fracassa por duas vezes em virtude de sua covardia. Na primeira, no momento da partida do pai, quando este faz menção de levá-lo consigo, mas desiste quando percebe o seu medo e, já adulto, quando propõe a substituição, mas foge ao combinado. A coragem aparece como um dos atributos mais valiosos do ser humano, devendo o medo ser superado. O maior contraste entre pai e filho em A terceira margem do rio é justamente a ousadia de um e o medo do outro. De dia e de noite, com sol ou aguaceiros, calor, sereno, e nas friagens terríveis do meio-do-ano. (...) Não adoecia? E a constante força dos braços, para ter tento na canoa, resistido, mesmo na demasia das enchentes, (...) A vitalidade do pai parece derivar da vida livre que escolheu para si, e torna ainda mais flagrante a mesmice da vida comum, “apenas um demoramento”. Elucidativas são as palavras finais do narrador, que lamenta a própria condição. Primeiras Estórias (1962) - João Guimarães Rosa (Cordisburgo, 1908/Rio de Janeiro, 1967); Gênero literário: estória (conto breve)

Caetano Veloso - A Terceira Margem do Rio


 Oco de pau que diz:

Eu sou madeira, beira

Boa, dá vau, triztriz

Risca certeira

Meio a meio o rio ri

Silencioso, sério

Nosso pai não diz, diz:

Risca terceira

Água da palavra

Água calada, pura

Água da palavra

Água de rosa dura

Proa da palavra

Duro silêncio, nosso pai

Margem da palavra

Entre as escuras duas

Margens da palavra

Clareira, luz madura

Rosa da palavra

Puro silêncio, nosso pai

Meio a meio o rio ri

Por entre as árvores da vida

O rio riu, ri

Por sob a risca da canoa

O rio riu, ri

O que ninguém jamais olvida

Ouvi, ouvi, ouvi

A voz das águas

Asa da palavra

Asa parada agora

Casa da palavra

Onde o silêncio mora

Brasa da palavra

A hora clara, nosso pai

Hora da palavra

Quando não se diz nada

Fora da palavra

Quando mais dentro aflora

Tora da palavra

Rio, pau enorme, nosso pai

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Esta letra foi retirada do site Letras.mus.br <www.letras.mus.br>